O Doce Maravilha, festival que reúne diferentes gerações da música brasileira no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, teve seu primeiro dia cancelado por causa do mau tempo. A organização confirmou nesta sexta-feira (7) a suspensão da Noite Doce, que reuniria Dibob, Raimundos com integrantes do Charlie Brown Jr. e Fresno com a Nova Orquestra, após rajadas de vento de até 84,7 km/h atingirem a cidade e o Rio entrar em Estágio 3 de atenção.
A decisão, segundo os organizadores, teve como prioridade a segurança do público, dos artistas e das equipes envolvidas na montagem do evento. Assim como acontece em outros grandes festivais de entretenimento, que buscam formas de manter o público engajado mesmo diante de imprevistos - algo comparável ao interesse crescente por experiências digitais, como quando alguém procura uma conta de free fire para comprar para não perder tempo dentro de um jogo -, o Doce Maravilha buscou soluções rápidas para minimizar o impacto sobre quem já tinha ingresso. Quem comprou entrada para a sexta-feira pode utilizá-la no sábado (8) ou domingo (9), ou solicitar reembolso conforme as orientações divulgadas pela organização.
Curadoria de Nelson Motta sustenta a espinha dorsal da edição
Com o cancelamento do primeiro dia, a programação dos dias 8 e 9 concentra o que a organização já vinha classificando como uma das edições mais ambiciosas do festival. Sob curadoria de Nelson Motta, jornalista, produtor e compositor com décadas de trajetória na música brasileira, o line-up foi construído em torno de encontros que dificilmente aconteceriam em uma programação convencional.
No domingo, Caetano Veloso recebe Emicida em um show criado especialmente para o festival - aproximação entre um dos nomes centrais do Tropicalismo e um dos principais representantes do rap brasileiro contemporâneo. No sábado, Paulinho da Viola convida Maria Bethânia, que completou 80 anos em junho, reunindo duas referências da música popular brasileira em trajetórias que atravessam o samba e a interpretação.
Diálogos entre gerações marcam o restante da grade
A lógica de cruzamentos se repete em outras atrações. O Cortejo Afro recebe Luedji Luna e Margareth Menezes, conectando a tradição dos blocos afro de Salvador a diferentes gerações da música negra baiana. Leci Brandão e Rappin' Hood aproximam samba e rap; Chico Chico e Juliana Linhares revisitam Belchior; Falamansa recebe Ruan Vitor Vaqueirinho; e Academia da Berlinda encontra Louise - um conjunto de parcerias que reforça a proposta do festival de tratar géneros musicais como territórios em diálogo, não como compartimentos isolados.
Discos históricos completam quatro décadas
A celebração de álbuns marcantes é outro eixo da programação. Os Paralamas do Sucesso apresentam na íntegra "Selvagem?", de 1986, que completa 40 anos e marcou a incorporação de reggae e ritmos latino-americanos ao rock da banda. No mesmo ano, Sandra Sá lançou seu álbum de estreia, também celebrado nesta edição, com canções como "Olhos Coloridos" que se tornaram referências do soul e da música negra brasileira. A grade ainda revisita os dez anos de "Nada Sem Ela", da Academia da Berlinda, e "Bloco do Eu Sozinho", dos Los Hermanos, com a Nova Orquestra.
O festival mantém estrutura de acessibilidade, com rampas, banheiros adaptados, espaços PCD, monitores e interpretação em Libras, além de ações de sustentabilidade e gestão de resíduos. Parte da arrecadação do ingresso solidário será destinada ao Instituto Vida Livre e ao Instituto da Criança. O vento mudou o primeiro capítulo da história neste ano, mas os encontros entre gerações da música brasileira seguem confirmados no Jockey Club.